quarta-feira, 22 de abril de 2020


          A arte existe porque a vida não basta, como já diria o grande poeta brasileiro Ferreira Gullar.

       Pensando neste nosso momento único, elaborei uma proposta que pode ser desenvolvida por todos os 
alunos: a criação de um Livro do Artista. Ao longo dos nossos encontros, irei propor algumas técnicas
que poderão ser utilizadas nas suas composições ( trabalhos, desenhos, pinturas..) do livro ou
livremente como experimento. E assim que nós nos reencontrarmos  ( espero que em breve!), poderemos
 conversar sobre as suas produções. O objetivo será  usar a linguagem artística como forma de expressão,
 provocando a criatividade e a reflexão a partir do uso da imagem e das palavras para registrar estes dias.
 Podem ser poemas, trechos de músicas, pinturas, desenhos, gravuras, colagens... A cada encontro vocês 
serão convidados a produzir utilizando diferentes ferramentas – materiais e idéias - ao mesmo tempo em
 que conhecerão algumas obras que trazem importantes exemplos.  Vale misturar tudo!
         A primeira atividade será  ler todo o textinho e ver alguns exemplos de Trabalhos. Logo após
 começaremos a produção do nosso próprio livro! Comece escolhendo o formato: folha de oficio (A4),
 metade da folha de oficio, folha com linhas...as páginas podem ser diferentes também.  Legal é soltar
 a imaginação e usar diferentes papéis ( vale até papel de presente, papel pardo...). Logo após escolher
 o formato, podemos pensar em como será essa capa : colorida, preto e branco, policromática ( com mais
 de uma cor), monocromática ( uma cor e vários tons), quais figuras utilizar, palavras e até mesmo a fonte
 que será usada para escrever o nome. Quem “manja” de Lettering pode explorar bastante as 
possibilidades!

      Mas então, o que é um Livro do Artista? Resumidamente, cabe pensar nele como um registro de um 
processo criativo ou o próprio objeto artístico que nos remete ( nos leva a pensar) a um livro. Seu formato
 é definido pelo próprio autor – no caso, vocês- e pode ser do tamanho e do jeitinho que vocês acharem
 melhor. Podemos pensar nele como uma espécie de diário que nos contará um pouco sobre cada um de
 vocês, interesses, angústias, como está sendo este momento...

      Apesar de ter ganhado mais visibilidade enquanto Arte atualmente ( depois de 1960 ), a existência 
dele é antiga - há livros de Leonardo da Vinci (1452-1519) com rascunhos de obras dele. “A Caixa” de 
1914,  de Marcel Duchamp (1887-1968), é considerada a primeira produção desse tipo. Lembrem-se 
que  voltaremos a revisitar esses exemplos de vez em quando...e quando voltarmos às aulas presenciais, 
falarei um pouco mais profundamente sobre essa  importante manifestação da Arte Contemporânea
 que busca aproximar um pouco mais o público, da obra de Arte.
     Seguem abaixo, alguns de livros dos Artistas com diferentes olhares e processos de produção para nos
 inspirarmos. Dica: observe como o artista representa as cenas, objetos ao seu redor, o uso das cores, como 
a linha se apresenta em cada obra, os diferentes materiais e técnicas utilizadas...




*Eugene Delacroix ( 1798- 1863) pintor francês do Romantismo: “Cadernos de viagem ao Marrocos”, 
1832, desenhos, aquarelas e nanquim documentam viagem ao Marrocos.


* A artista mexicana Frida Kahlo (1907-1954) registrou em um “diário” um pouco de sua história,
 permeada pelas dores físicas em decorrência de um acidente e suas dores de amores pelo também
 artista mexicano Diego Rivera, escrito entre os anos 1944 e 1954, quando faleceu. A artista 
documenta sua biografia pessoal e política, faz anotações poéticas de  pinturas, desenhos e poemas.






*Isabel de Sá: poetisa e artista plástica portuguesa e trechos de seu livro do artista, mostrando
 experimentação com diferentes materiais e o uso de poemas, cor, palavra e colagens.
Agora que você já conhece um pouco da proposta, mãos à obra!

Caso queira enviar sua produção, tirar alguma dúvida ou sugerir propostas, pode me enviar um email :
juliana.evangelista@prof.pmf.sc.gov.br


Referências:

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

M.C.Escher: o artista das construções impossíveis


          Essa é para o pessoal dos sétimos anos: Sejam Bem Vindos ao Arteando na Escola!!Iniciaremos o nosso trabalho estudando um pouco sobre um dos maiores artistas gráficos que o mundo moderno  já conheceu: M.C. Escher( 1898-1972).

Hand with Reflecting Sphere 1935, litografia
  E antes que me perguntem, ele não era um “MC”, M.C. era apenas a abreviatura do nome Maurits Cornelis.  
    "Nascido em 1898 na Holanda, Escher tornou-se conhecido por suas xilogravuras, meio-tons e litografias que representavam construções impossíveis. A exploração do infinito e as metamorfoses geradas pela repetição de padrões geométricos são duas de suas principais características. Uma de suas maiores contribuições às artes visuais, campo ao qual se dedicou por toda a sua vida, foi a capacidade de gerar imprevisíveis efeitos de ilusão de ótica — todas, absolutamente todas as suas criações merecem uma segunda olhada. 
Relatividade,1953, litogravura

Up and down, 1947, litografia em marrom

Drawing Hands, 1948, litografia

Balcony, 1945, litografia
Côncavo e convexo,1955, litografia

Waterfall, 1961, litografia
A passagem por diferentes locais e culturas inspirou fundamentalmente a obra de Escher. Ao conhecer Granada, foi fortemente impactado pelos azulejos mouros, de onde nasceu a inspiração para os padrões geométricos que se transfiguram ao serem repetidos, formando novos desenhos. A origem é a arte árabe, que por não admitir representações, foca-se em figuras e formas padronizadas. Na interpretação de Escher, essas figuras abstrato-geométricas foram substituídas por imagens concretas, principalmente da natureza, como pássaros, peixes, répteis e seres humanos." (bontempo.com.br)
Sky and water I, 1938, xilogravura
Smaller and Smaller,1956,xilogravura
“Durante o período em que esteve em atividade, Escher fez 448 litografias,Linogravuras ( gravura em linóleo), xilogravuras e gravuras em madeira, além de mais de 2000 desenhos e esboços. Como alguns dos seus antecessores famosos (Michelangelo, Leonardo da Vinci, Dürer e Holbein), Escher era canhoto. Seu trabalho lida com a arquitetura, a perspectiva e os espaços impossíveis, continuando ainda hoje a surpreender e admirar milhões de pessoas em todo o mundo. Em seu trabalho, reconhecemos uma minuciosa observação do mundo que nos rodeia e as expressões de suas próprias fantasias. Escher mostra-nos que a realidade é maravilhosa, compreensível e fascinante”  ( infoescola).

Referências:
-http://www.infoescola.com/biografias/m-c-escher/
-http://www.mcescher.com/
>>Com acesso em 25/08/2013

segunda-feira, 5 de agosto de 2013


RETRATO E AUTO-RETRATO

            Então turminha, o tema da aula de hoje é Retrato e auto-retrato. Durante este bimestre conheceremos alguns artistas, veremos algumas obras, estudaremos as proporções do rosto e faremos alguns retratos.
          Bom, começaremos aprendendo que os retratos passaram a ser temas mais comuns depois que a tinta óleo foi inventada. Isso proporcionou mais mobilidade para os artistas -que até a época do Renascimento, mais ou menos, pintavam os chamados afrescos- e começam a pintar sobre outros suportes como madeiras e depois sobre telas.
Duque de Urbino, de Piero dela Francesca, 1472
         Os retratos eram principalmente sobre chefes de governo, figuras ilustres, nobres e membros da Igreja, em cenas luxuosas, solenidades ou momentos históricos. Alguns artistas como Diego Velázquez  ( 1599-1660) que foi o pintor oficial da família real espanhola, se dedicaram a pintar retratos durante toda a sua carreira.Nesta época  -Renascimento-, um sistema chamado Mecenato* se torna bastante comum.
         Inicialmente os retratos eram pintados, o que exigia dos modelos horas e horas posando ( e sem se mexer!) para que o quadro fosse concluído com riqueza de detalhes. Claro que quando a Fotografia surge, em meados de 1860, além de popularizar o retrato, permite que este seja feito em alguns minutos. Surgem os estúdios de fotografia e com o tempo ela se torna cada vez mais acessível.  
         Quando um artista faz um retrato de si mesmo, chamamos de Auto-retrato. Ao retratarem-se, os artistas procuram também expressar seus sentimentos, Muitos tornam-se mestres na arte do auto-retrato. Vemos o exemplo da pintora mexicana  Frida Kahlo (1907-1954), que encontrou no auto-retrato um tema comum para as suas obras. Não por acaso, pois um acidente sofrido na adolescência a obrigou a ficar muito tempo de cama, isolada em seu quarto. Por incentivo de seu pai que colocou um espelho próximo a ela e lhe deu tintas e telas, começou então a produzir uma grande série de auto-retratos. Gênero de pintura que se dedicou durante toda a sua vida.vida
As duas Fridas, Frida Kahlo, 1939
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Auto retrato com câmera, de Man Ray, 1931

Retrato de Mário de Andrade, de Lasar Segall, 1927



Auto retrato, de Amedeo Modigliani, 1919

As meninas, de Diego Velásquez, 1656

Adele Bloch-Bauer I , de Gustav Klimt, 1907
 
Roteiro e texto inspirados em:
-MEIRA, Bea. Arte 7ª série. São Paulo:  Scipione, 2006.
 

domingo, 4 de agosto de 2013


CUBISMO
             As origens deste movimento artístico, um dos mais importantes e significativos da Arte Moderna, nos leva à Paris de 1907, ano do   célebre quadro de Pablo Picasso, “Les Demoiselles d'Avignon”. 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fortemente influenciados pela obra de Paul Cézanne –  em sua forma de construção de espaços por meio de volumes e da decomposição de planos - e também pela arte africana, máscaras, fotografias e objetos.
Natureza morta com maçãs e laranjas, 1895-1900. Museu d'Orsay
 
Segundo Cézanne, a natureza deveria ser representada por formas geométricas, como cones, esferas e cilindros. Os cubistas foram um pouco além e passaram a representar os objetos com todas as suas partes, seus ângulos, num mesmo plano (imagine uma caixinha de creme dental toda aberta de modo que pudéssemos ver todos os seus lados de uma única vez.).
Durante o “Cubismo”, nome dado através de uma referência de um crítico ao falar em “ realidade construída com cubos“, abandonou-se a busca da perspectiva e a fidelidade com a aparência real das coisas. Os artistas buscavam criar novas formas a partir de outras já existentes, desconstruindo imagens e não simplesmente copiando algo.
 

                      O Cubismo teve duas fases:


“Violino e Cântaro” (1910), Georges Braque, 117 X 73,5 cm. Museu de Arte, Basiléia.
*Cubismo analítico (entre 1907 e 1912 aproximadamente): foi chamado assim pois buscava analisar as formas dos objetos, partindo-os em fragmentos (partes) e espalhando-os pela tela. Os artistas trabalhavam com poucas cores : preto, cinza e alguns tons de marrom e ocre . Essa tendência foi levada ás últimas consequências, chegando a um ponto tal de desfragmentação dos seres, em que se tornou impossível o reconhecimento de qualquer figura nas pinturas cubistas.
 

 
 

 

 
 
 
 
 
"O Poeta", 1911, Picasso, 1,30mX89cm
 


*Cubismo sintético ( a partir de 1912) : foi uma reação a excessiva fragmentação dos objetos e à destruição de sua estrutura. Basicamente essa tendência procurou tornar as figuras reconhecíveis novamente. Ainda mantendo o ideal cubista de apresentar uma visão multifacetada da realidade. Férnand Léger (1881-1955) contribui com suas formas que tendiam a ser tubulares. Torna-se conhecido pelas suas paisagens urbanas, industriais, cheias de formas polidas e bem definidas engrenagens mecânicas.
"Mulher com violão", 1913, Geroges Braque

 
Fernand Léger, 1923
 


Copos e Jornal - 1913 - Georges Braque

Durante o cubismo sintético, o pintor espanhol  Juan Gris (1887-1927), juntamente com Picasso e Braque, incorporam letras em estêncil e tiras de papel às pinturas. Elementos heterogêneos - recortes de jornais, pedaços madeira, cartas de baralho, caracteres tipográficos, entre outros - são agregados à superfície das telas, dando origem às famosas colagens, amplamente utilizadas a partir de então.

 
 



Natureza Morta com Garrafas e Frutas - 1914 - Juan Gris



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Outros pintores como  Robert Delaunay, Sonia Delaunay-Terk, Albert Gleizes, Jean Metzinger, Roger de la Fresnaye se associam ao movimento.
No Brasil, as influências do cubismo são vistas em parte dos artistas reunidos no modernismo de 1922, em alguns trabalhos de Vicente do Rego Monteiro, Antonio Gomide e sobretudo na obra de Tarsila do Amaral. “A pintora vai encontrar em Léger, especialmente em suas "paisagens animadas", motivos ligados ao espaço da vida moderna - máquinas, engrenagens, operários das fábricas etc. - e o aprendizado de formas curvilíneas”  ( itaucultural). Não esquecendo de citar parte das produções de Clóvis Graciano e de uma parte  considerável da obra de Candido Portinari, onde fica clara a inspiração das obras de Picasso.  

 

                    

Referências:

-http://www.itaucultural.org.br  com acesso em 04/08/2013;
-PROENÇA, Graça. História da Arte. 17º ed. São Paulo: Ática, 2008;
-STRICKLAND,Carol. Arte Comentada: da pré-história ao pós moderno. 6ª ed. Rio de Janeiro: 2001.
 
 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Sejamos Bem- vindos!

Então é isso pessoal, finalmente nasceu o projeto!
Espero poder contar com a colaboração dos colegas e afins para construirmos este material que, segundo a sua proposta, deverá ajudar nas nossas aulas.
Alunos, visitem-nos!!!
Em breve, postagens novinhas contendo os planejamentos bimestrais das minhas turminhas.